domingo, 1 de novembro de 2026

Urnas eletrônicas: a crise de CONFIANÇA que o Supremo não resolveu

 “Não importa quem vota, mas quem conta os votos. ” A frase é quase sempre atribuída a Josef Stalin, mas checagens do PolitiFact e do Observador mostram que não há registro confiável de que o ditador soviético a tenha dito. A versão mais próxima aparece nas memórias de Boris Bazhanov, ex-secretário de Stalin, segundo quem ele teria afirmado ser “completamente sem importância quem no partido vota e como, mas extremamente importante quem conta os votos” — referindo-se a votações internas do Partido Comunista, não a eleições gerais.

Apesar da origem duvidosa, a lógica que a frase condensa é verificável na história. Na Guiné Equatorial, eleições chegaram a registrar 97% dos votos para o governo sem recontagem e com a oposição presa. No Brasil, o escândalo da eleição de 1982 para governador do Rio de

Janeiro envolveu boletins alterados e votos que “desapareceram” dos mapas oficiais. Nos dois casos, o voto existia no papel — mas o resultado foi decidido na etapa seguinte, a da apuração. É por isso que a integridade democrática não se mede apenas pelo direito de votar, mas pela auditabilidade da contagem: registro verificável, fiscalização por opositores, cadeia de custódia e recontagem possível. O sistema eletrônico brasileiro, por exemplo, prevê o Registro Digital do Voto (RDV) para recontagem e comparação com os boletins de urna. A frase, mesmo falsa na atribuição, funciona como um alerta permanente: quem controla a apuração controla o efeito do voto. Milton Lima 

Q&A DA SEMANA - Leandro Ruschel 

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