22 de fevereiro de 2025 - 08:41

Uma Armadilha Rentável

O escândalo credcesta/banco master/banco pleno, acabou por chamar a atenção para um problema que se tornou crônico, quase institucionalizado: O cartão fantasma, ou, em alguns casos, até mesmo existem, mas com um detalhe em comum: criam uma dívida eterna. O detalhe importante na maioria dos casos é que a condição de penúria financeira dos servidores, os torna presas fáceis para qualquer um que se apresente como “facilitador”, oferecendo empréstimo mesmo quando o servidor não possui margem para empréstimo. Lembro de um caso ocorrido em 2014 com um colega de trabalho, quando recebemos no colégio um correspondente do banco bmg; ao receber do colega a informação de que estava sem margem,o tal representante disse que daria um jeito, fez uns cálculos e informou o valor, ocasião em que o rapaz perguntou o qual número de mensalidades para saldar o empréstimo. O representante disse: - 36 meses, e, realizaram o empréstimo. Resultado: o meu colega está pagando o empréstimo até hoje!

Trouxe aqui este caso verídico para ilustrar uma situação que sei afligir muitas pessoas mais.

No centro do problema está a chamada Reserva de Margem Consignável (RMC). Operada por instituições como Banco Master (via Credcesta) e Banco Pleno, a RMC utiliza uma margem de 5% do cartão de crédito consignado para simular empréstimos.

Na prática, porém, não são empréstimos comuns — são dívidas sem prazo definido, marcadas pela falta de transparência.

Com descontos automáticos via Rio Previdência e pela plataforma e-consig, o Estado permite a averbação desses valores sem bloquear rubricas consideradas abusivas. O resultado: em muitos casos, mais de 50% da renda líquida do servidor evapora.

A armadilha matemática é simples:

Dₜ₊₁ = D · (1 + r) P

Onde:

  • D = dívida atual
  • r = taxa de juros mensal
  • P = pagamento fixo mensal (os 5%)

O problema ocorre quando os juros (D · r) são maiores que o pagamento (P). Nesse cenário, o valor principal nunca é reduzido. A dívida cresce enquanto o servidor paga apenas para continuar devendo.

Reação jurídica

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, por meio do NUDECON, passou a contestar judicialmente esses contratos com base na tese do Erro Substancial. O argumento é direto: nenhum servidor contratou conscientemente uma dívida eterna — a intenção era assumir um empréstimo comum, com prazo definido.

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