Doenças alimentares tornam-se resistentes a antibióticos na Europa, alertam agências
De Marta Iraola Iribarrem
Publicado
por Euronews em 19/02/2026 - 9:53
GMT+1•Últimas notícias 10:23
A resistência aos antimicrobianos em bactérias
transmitidas por alimentos continua a ser uma preocupação de saúde pública na
Europa, pois reduz as opções de tratamento, indica um novo relatório.
A resistência aos antimicrobianos (RAM) em
bactérias alimentares comuns, como a Salmonella e a Campylobacter, é motivo de
preocupação para a saúde pública, alertam agências europeias.
Uma elevada
proporção de estirpes de Campylobacter e Salmonella, tanto em humanos como em
animais, continua a apresentar resistência à ciprofloxacina, um antimicrobiano
importante utilizado no tratamento de infeções graves, indicaram esta
quarta-feira o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e a
Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).
A Salmonella e
a Campylobacter estão entre as causas mais frequentes de doenças de origem
alimentar.
As infeções
surgem geralmente após o consumo de carne, aves e ovos crus ou mal cozinhados,
ou de leite não pasteurizado.
Em 2024, mais de uma em cada cinco infeções humanas por Salmonella foi resistente à ciprofloxacina, com a resistência a vários medicamentos a afetar quase um em cada cinco casos no total, limitando a eficácia das opções de tratamento disponíveis, conclui o novo relatório.
No caso da
Campylobacter, a resistência é hoje tão disseminada na Europa que a
ciprofloxacina deixou de ser recomendada para o tratamento de infeções humanas,
alertou a agência de saúde.
Estas duas
bactérias revelam também resistência a outros antibióticos de uso corrente,
como a ampicilina, as tetraciclinas e as sulfonamidas.
“A resistência
aos antimicrobianos em bactérias alimentares comuns, como a Salmonella e a
Campylobacter, evidencia as estreitas ligações entre os sistemas humanos,
animais e alimentares”, afirmou Piotr Kramarz, cientista-chefe do ECDC.
Acrescentou que
preservar a eficácia dos antimicrobianos exige uma ação coordenada, assente
numa abordagem forte de One Health.
Importância da
abordagem One Health
As agências
referem que os resultados sublinham a importância de uma abordagem One Health,
que reconhece as ligações estreitas entre a saúde humana, a saúde animal e a
produção alimentar.
One Health é o
princípio que orienta as ações em saúde com base na interligação entre a saúde
das pessoas, dos animais, das plantas e do ambiente.
Os perfis de
resistência variam muito entre países, bactérias e antimicrobianos, refletindo
diferenças no uso destes medicamentos, bem como nas práticas agrícolas, nas
medidas de saúde animal e nas estratégias de prevenção.
Doenças de origem alimentar na Europa
Em 2024, a
União Europeia registrou 168.396 casos humanos de Campylobacter e 79.703 casos de Salmonella,
mostrando um aumento constante desde 2020.
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